Cerca de 60% do consumo total destinou-se ao mercado regulado, onde os consumidores adquirem energia das distribuidoras locais... Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/poder-energia/senado-aprova-mp-da-reforma-do-setor-eletrico/) © 2025 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. Foto: Divulgação Internet
Última modificação em 31 de outubro de 2025 às 10:03
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (30) a medida provisória que altera regras do setor elétrico. O texto, que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, segue agora para sanção presidencial. A MP precisava ser votada pelo Congresso até 7 de novembro para não perder a validade.
Entre os principais pontos, a proposta estabelece um teto para os gastos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) — fundo que financia políticas públicas como a tarifa social, o programa Luz para Todos e subsídios às energias renováveis.
A medida também abre gradualmente o mercado de energia elétrica, permitindo que todos os consumidores, inclusive residenciais, possam escolher o próprio fornecedor — possibilidade que hoje é restrita a grandes empresas.
Além disso, o texto muda a forma de cálculo dos royalties do petróleo e cria incentivos ao armazenamento de energia.
Principais mudanças
Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)
Como é hoje:
A CDE financia políticas públicas e subsídios do setor elétrico. Os custos são repassados aos consumidores na tarifa de energia.
Como fica:
A partir de 2027, haverá um teto de gastos, calculado com base no orçamento real de 2025.
Se faltar recurso, será criado o Encargo de Complemento de Recursos (ECR), cobrado apenas dos beneficiários diretos da CDE.
Isentos da cobrança:
- Famílias de baixa renda;
- Beneficiários do Luz para Todos e da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC);
- Custos administrativos da CDE, CCC e RGR;
- Estados não conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2009.
Royalties do petróleo
Como é hoje:
O valor de referência para cálculo dos royalties é definido por resolução da ANP, baseada em uma fórmula técnica que considera diferentes tipos de óleo e teores de enxofre.
Como fica:
O novo modelo define o preço com base em cotações internacionais, o que pode elevar a arrecadação do governo. O tema divide opiniões no setor.
Abertura do mercado de energia
Como é hoje:
A escolha do fornecedor é restrita a grandes consumidores.
Como fica:
A abertura será gradual:
- Indústria e comércio: até 24 meses;
- Residências: até 36 meses.
Abertura do mercado de energia
Será criado o Supridor de Última Instância (SUI), para garantir o fornecimento emergencial em caso de falhas de contrato.
Como é hoje:
O tema ainda carece de regulamentação e incentivos.
Como fica:
O armazenamento passa a integrar o planejamento oficial do sistema elétrico e contará com incentivos fiscais (PIS/Cofins/IPI) para baterias até 2026.
Equipamentos também poderão ser incluídos no REIDI, programa que concede benefícios tributários a projetos de infraestrutura
Micro e minigeração (energia solar)
Como é hoje:
A proposta inicial previa cobrança de R$ 20 a cada 100 kWh compensados.
Como fica:
A Câmara dos Deputados excluiu a cobrança (placar de 233 x 148), mantendo isenção para consumidores que geram a própria energia solar no modelo de autoconsumo local.
Comercialização de gás
A MP autoriza a Pré-Sal Petróleo (PPSA) — empresa pública que representa a União nos contratos de partilha de produção — a comercializar diretamente o gás natural da União, com o objetivo de reduzir tarifas e estimular a indústria.
Corte de geração e compensações
A medida também garante que usinas eólicas e solares sejam ressarcidas quando houver redução de geração por fatores externos.
Os valores serão compensados por meio de encargos de serviços do sistema. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) terá 60 dias para calcular os cortes de geração ocorridos entre 1º de setembro de 2023 e a data de publicação da nova lei.
Fonte: Agência Senado
Por: M3 Comunicação Integrada