A clínica funcionava em uma residência improvisada, em condições insalubres. Foto: Divulgação PC RR
Última modificação em 26 de setembro de 2025 às 09:37
Quatro pessoas foram presas em uma ação da Polícia Civil de Roraima nesta quarta-feira, 24, que também resultou na desativação de uma clínica oftalmológica clandestina. O local funcionava de forma precária, no bairro Nova Vida, Zona Oeste de Boa Vista.
Os presos foram identificados como: a técnica óptica J.F.S., de 32 anos, o autônomo G.P.C., de 37 anos, T.C.S., de 41 anos e M.M.C.N., de 55 anos. Eles foram presos em flagrante por exercício ilegal da medicina, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo.
De acordo com informações prestadas pelo delegado do 5⁰ DP, Igor Silveira Alencar, a ação foi resultado de investigação iniciada após denúncia do Conselho Regional de Medicina de Roraima, que comunicou à Polícia Civil a realização de consultas e exames oftalmológicos por pessoas sem habilitação profissional.
A operação, segundo o delegado Igor Silveira Alencar, contou com a participação de médicos fiscais do CRM, que comprovaram a irregularidade.
Clínica improvisada funcionava na cozinha de uma casa
Segundo o delegado, a clínica funcionava em uma residência improvisada, em condições insalubres, com equipamentos médicos posicionados na cozinha da casa, próximos a louças sujas e uma fila de pacientes aguardando atendimento.
“O que encontramos foi um esquema criminoso que colocava em risco a saúde das pessoas. A ação da Polícia Civil interrompeu essa prática ilegal, reafirmando nosso compromisso com a proteção da população”, destacou o delegado.
Clientes eram atraídos pelas redes sociais
Igor Silveira observou que o esquema criminoso era estruturado, com divisão de tarefas.
“Eles atraiam seus clientes por meio de anúncios em redes sociais, oferecendo exames de vista em troca da doação de 1kg de alimento não perecível”, detalhou o delegado
Na divisão das tarefas os acusados atuavam da seguinte forma:
J.F.S., sem qualificação médica, se apresentava como optometrista e realizava consultas, emitindo laudos e receitas; após o falso exame, T.C.S. oferecia armações e lentes de óculos, sendo esta a principal fonte de lucro do grupo; a proprietária da residência M.M.C.N., cuidava da recepção e divulgação dos atendimentos; G.P.C., companheiro de J.F.S., era o responsável financeiro e pela aquisição dos materiais.
“Os atendimentos eram promovidos em redes sociais, oferecendo exames em troca de doações de alimentos, e o lucro principal vinha da venda de armações e lentes de óculos”, disse o delegado.
Entre os casos, segundo o delegado , chamou atenção a emissão de receita para uma criança de 9 anos que não necessitava de correção de grau, reforçando que o objetivo era a comercialização de óculos.
Contra os quatro envolvidos foi lavrado um APF (Auto de Prisão em Flagrante) pelos crimes de exercício ilegal da medicina, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo. Foram apreendidos no local, equipamentos oftalmológicos profissionais, sendo 153 maletas com armações e receituários preenchidos sem a identificação médica.
Os quatro acusados foram apresentados em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira , dia 25, e obtiveram liberdade provisória mediante medidas cautelares.
Fonte: PC RR
Por: M3 Comunicação Integrada