Ao menos 45 postagens com conteúdo discriminatório foram identificadas em rede social. Foto: Divulgação PF
Última modificação em 24 de setembro de 2025 às 10:32
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Rosa Parks, em Roraima, para investigar crimes de racismo e incitação à discriminação praticados em ambiente virtual. O alvo foi o estudante de medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Fábio Felipe dos Santos Nogueira, de 24 anos.
Segundo as investigações, o universitário teria publicado pelo menos 45 mensagens ofensivas em redes sociais, com ataques contra pessoas negras, mulheres, população LGBTQIA+, religiões de matriz africana e outros grupos sociais. Ele também chegou a compartilhar imagens estereotipadas e a declarar frases como: “O mundo está faltando muito em preconceito” e “O Brasil é um país de macacos [sic]”.
Durante a operação, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão autorizado pela Justiça Federal, com objetivo de reunir provas adicionais e interromper a continuidade das práticas investigadas. O inquérito busca responsabilizar criminalmente os envolvidos e reforçar o enfrentamento aos crimes de ódio cometidos pela internet.
Fábio já havia sido afastado da UFRR em maio, quando cursava o quinto ano de medicina, após colegas denunciarem discursos discriminatórios em sala de aula e no convívio acadêmico, considerados incompatíveis com o exercício da profissão.
Na ocasião, o estudante afirmou que muitas de suas publicações foram feitas a partir de uma “persona exagerada”, usada de forma impulsiva para extravasar frustrações. Ele acrescentou possuir diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e estar em acompanhamento psiquiátrico contínuo.
A operação foi batizada de Rosa Parks, em homenagem à ativista norte-americana que, em 1955, se tornou símbolo da luta contra a segregação racial ao se recusar a ceder seu assento em um ônibus a um homem branco.