Em 2024, eram 1,65 milhão de crianças e adolescentes. Foto: Reprodução
Última modificação em 19 de setembro de 2025 às 09:58
O Brasil registrou uma queda de 21,4% no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil entre 2016 e 2024. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o total de pessoas entre 5 e 17 anos nessa condição caiu de 2,1 milhões em 2016 para 1,65 milhão em 2024.
Em termos proporcionais, a redução também foi significativa: o percentual de crianças e adolescentes no trabalho infantil passou de 5,2% para 4,3% no mesmo período.
Tendência de queda se mantém, apesar de leve alta recente
Embora a tendência de redução prevaleça, o número de pessoas em situação de trabalho infantil cresceu 2,1% entre 2023 e 2024, passando de 1,616 milhão para 1,65 milhão. O percentual também teve leve aumento, de 4,2% para 4,3%. O analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, explica que a variação não é considerada preocupante:
“Foi uma variação de 2,1%. Não foi muito acentuada, e os níveis ainda estão baixos”, afirmou.
Ele destaca que o menor índice registrado foi o de 2023, com queda de 14,7% em relação a 2022. O aumento recente foi puxado principalmente por adolescentes entre 16 e 17 anos e pelo público masculino.
Maior parte do trabalho infantil está na adolescência
A maior concentração do trabalho infantil está entre adolescentes de 16 e 17 anos, que representam 55,5% do total. Nas faixas de 5 a 13 anos e de 14 a 15 anos, a participação é de cerca de 22% cada.
Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, o percentual em situação de trabalho infantil subiu de 14,7% (2023) para 15,3% (2024), embora ainda esteja abaixo do registrado em 2022 (16,4%).
Desigualdades sociais e regionais persistem
A pesquisa evidencia desigualdades raciais, regionais e de gênero:
- Pretos e pardos: representam 66,6% dos casos de trabalho infantil, apesar de corresponderem a 59,7% da população jovem.
- Homens: são maioria no trabalho infantil, com 66% dos casos, embora representem 51,2% da população de 5 a 17 anos.
- Regiões: o Sudeste apresenta o menor índice (3,3%), enquanto o Norte lidera (6,2%).
Percentual de trabalho infantil por região:
- Norte: 6,2%
- Nordeste: 5,0%
- Centro-Oeste: 4,9%
- Sul: 4,4%
- Sudeste: 3,3%
Setores que mais absorvem trabalho infantil
Os principais ramos de atividade que envolvem crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil são:
- Comércio e reparação de veículos: 30,2%
- Agricultura e pesca: 19,2%
- Alojamento e alimentação: 11,6%
- Indústria: 9,3%
- Serviços domésticos: 7,1%
A remuneração média mensal foi de R$ 845, mas variou conforme a carga horária. Quem trabalhava 40 horas ou mais por semana recebia, em média, R$ 1.259.
Diferença entre trabalho infantil e tarefas domésticas
A Pnad também investigou a participação de crianças e adolescentes em afazeres domésticos. Em 2024, 54,1% dos jovens de 5 a 17 anos realizaram algum tipo de tarefa doméstica.
Nesse grupo, a maioria era formada por meninas (58,2%), ao contrário do cenário do trabalho infantil, onde os meninos predominam.
Definição de trabalho infantil
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o IBGE, trabalho infantil é toda atividade perigosa, insalubre, exaustiva ou que prejudique a saúde, o desenvolvimento ou a educação de crianças e adolescentes. A legislação brasileira estabelece:
- Até 13 anos: qualquer trabalho é proibido.
- 14 a 15 anos: permitido apenas como aprendizagem.
- 16 e 17 anos: proibido o trabalho noturno, perigoso, insalubre ou sem carteira assinada.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação